Acordei em uma manhã fria de inverno. Parece que ainda sinto o seu cheiro vivo e impenetrável em meu travesseiro. Você pode estar longe, mas pra mim, sempre estará perto. Aqui não há nada o que pensar, não há nada o que viver, observando o sol invadir o meu quarto pela janela, mas não é como se eu me importasse, apenas observo. Pássaros começam a cantar e eu ouço a melodia ecoando bem de longe.
Você deveria saber que penso em você a partir do momento em que me deito, encosto a cabeça no travesseiro, sempre imagino você ali, do meu lado, onde você supostamente deveria estar. Penso em você a partir do momento que abro o chuveiro e sinto cada gota de água molhar minha cabeça trazendo as mais vivas lembranças que eu ainda consigo guardar. Penso em você quando pego uma caneta, e a primeira coisa que me vem a cabeça é o seu nome. Penso em tudo isso como se fosse uma obrigação de cada dia.
Ao terminar o dia eu simplesmente abro a janela e fico olhando paralisada para a lua, porque até ela me traz lembranças sólidas de uma realidade que um dia eu ja vivi. Sempre fico pensando, se você chora por mim, da maneira que eu choro por você. Se você pensa em mim todas as noites antes de dormir, do jeito que eu faço. E se você ainda tem aquela esperança de me encontrar de novo, como a esperança que eu sinto todos os dias ao acordar.
Depois de pensar em tudo isso, e me lamentar, eu começo a chorar, mas penso em todas as possibilidades impossíveis que tenho e empeço que as lágrimas continuem a cair. Mas no fim, tudo continua um mistério. E enquanto o sono me consome, eu me pergunto como eu pude guardar, por tanto tempo, todas essas lembranças de um passado tão perfeito com um futuro tão distante mesmo que isso me traga a pior das dores.

Nenhum comentário:
Postar um comentário