Pas d'amour pour une nuit
domingo, julho 5
Naquele dia
E assim, depois de muito esperar, em um dia como outro qualquer, decidi mudar.
Decidi não esperar pelas oportunidades, mas eu mesmo ir buscá-las. Decidi ver cada problema como uma oportunidade de encontrar uma solução. Decidi ver cada deserto como uma possibilidade de encontrar um oásis. Decidi ver cada noite como um mistério a resolver, e cada dia como uma nova oportunidade de ser feliz. Naquele dia descobri que meu rival não era mais que minhas próprias limitações, e que enfrentá-las era a única e melhor forma de superá-las.
Naquele dia, descobri que eu não era a melhor e que talvez nunca tivesse sido. Deixei de me importar com quem ganha ou perde, agora me importa simplesmente saber melhor o que fazer. Aprendi que o melhor triunfo é poder chamar alguém de amigo. Descobri que o amor é mais que um simples estado de enamoramento, e por mais que nunca tenha conseguido vivê-lo, o amor é uma filosofia de vida.
Naquele dia, deixei de ser um reflexo de escassos triunfos passados e passei a ser uma tênue luz no presente. Aprendi que de nada serve ser luz, se não iluminar o caminho dos demais. Naquele dia, aprendi que os sonhos são mais do que só refúgios da realidade e por isso mudei, pra opnião dos outros e pra minha própria. Mudei, pros olhos da sociedade e opniões que não preciso.
quarta-feira, janeiro 4
Precipício
Por que acordar todo dia esperando por uma vida melhor se você sabe que não vai mudar? Ou vá, se pelo menos nós pudéssemos prever o futuro, sofreríamos menos no presente tentando apagar memórias do passado. Pessoas que cortam o próprio pulso ou pensam em suicídio todos os dias, elas merecem todo aquele apoio e consentimento que todos pensam mas ninguém para pra dar a elas. Afinal, todos vamos morrer um dia não vamos? Pra que antecipar o óbvio só por que sua vida não está do jeito que você queria que ela fosse?
Pessoas que não amam, são frias, calculistas e não perdem um minuto do seu pseudo tempo para terem dó de si mesmas. São elas diferentes ou não? Afinal, estamos todos caminhando para o precipício, não é? Para podermos nos jogar de cabeça e cair no arrependimento de pensar que um dia a morte seria pior do que a própria vida. Somos melhores insanos, somos melhores inconscientes, somos melhores fora de si.
Somos melhores irracionais, sem medo do incerto. Somos melhores cegos, para não poder julgar pela aparência. Somos melhores poetas, fazendo de cada grão de areia, e de cada estrela uma história a contar. Somos melhores humanos, aceitando as vontades da carne sem ressentimentos. Mas no final, não somos melhores desse jeito, ou de nenhum outro. Tentando passar esta vida sendo muito mais do que a ignorância enfatizada em um ser.
quarta-feira, dezembro 28
I'm not giving a single fuck
Sociedade, um conjunto de pessoas formados com um único objetivo: julgar os outros.
Só por um dia, eu queria que alguém me entendesse, e parasse de me humilhar por ser diferente. Como se fosse um pecado não ser igual todo mundo. Você tem que obedecer todas as regras dessa prisão que eles chamam de vida. Você tem que ser certinha, e totalmente igual a todo mundo. Só por um dia, eu queria que tudo fosse aceito, que tudo pudesse ser diferente do que eles querem. Mas se eu ficar parada esperando, nada vai mudar.
Mas acho que vai chegar uma na hora na minha vida que eu vou perceber que eu não vivo, eu só existo. E então vou começar a parar de me arrepender de cada erro, porque cometer erros, significa que você pelo menos tentou. E se eu não conseguir uma coisa? Foda-se, também faz parte. Olhar pra trás, perceber que você fez uma idiotice e não se envergonhar, mas rir, porque seria melhor do que nunca ter feito.
Pode parecer estupidez, mas ligar o foda-se as vezes é a coisa certa a se fazer, só assim o mundo para de te criticar, se intrometer na sua vida e dar opniões que você não precisa. Pelo menos no seu ponto de vista, você estará livre porque, afinal, a vida é e sempre vai ser sua, e você só precisa vivê-la.
segunda-feira, novembro 21
It caught me again
Mãos tremendo. Coração parando. Suor frio. Nó na garganta. Desespero. Angústia. Cada passo que ele dava para mais perto de mim só fazia esses sintomas piorarem, e iam piorando cada vez mais. Aquele sentimento de morte, ou pode ser amor? Não, eu sabia que não era. Nem amor, nem paixão, só um sentimento desconhecido para o qual eu ainda não tinha dado nome. Eu costumo rejeitar o amor pois ele não faz bem a ninguém, ele só da a ilusão de felicidade pra depois te derrubar, e você não tem mais como levantar, por um bom tempo.
Dois passos a mais que aqueles pés deram, um segundo a menos que eu podia respirar. Enfim o momento de tensão chegou, com meus lábios tremendo e um 'oi' preso em minha garganta. Não tinha como evitar, existia algo muito errado comigo.
Respostas. Indecisão. Vergonha. Mais desespero. Duas letras que me travaram por inteiro, como eu poderia aguentar aquilo por pelo menos mais um minuto? Perdi controle do meu corpo. Mal sinto minha queda, mas sinto suas mãos tentando me ajudar. Levanto-me, sem tempo para pensar. Recomponho-me, como fui parar no chão? Tento relembrar meus últimos minutos, e tudo estava em branco.
Eu simplismente me negava a dizer que o que eu havia presenciado era amor, ou paixão, ou algum tipo de alergia a garotos. Doença, com certeza. Você me pergunta se está tudo bem, mas olhe para meu rosto, eu pareço estar? Ainda tremo, não crendo que você tenha feito isso comigo, tenho certeza que não foi, não pode ter sido.
É a conversa mais longa que já tive, sei que durou quatro minutos mas me pareceu a eternidade. Logo depois, me dei um tempo para pensar sobre tudo. O que achava impossível de acontecer comigo, há algumas horas atrás me ocorreu. O que achava inexistente nesse planeta, começou a existir dentro de mim. Logo em mim, por que? Sempre achei que fosse ruim, como nas outras vezes, que iria me destruir por dentro. Mas não era, era reconfortante, e inexplicavelmente bom.
Desisti de procurar nomes para o sentimento estranho que sentia. Me rendi. Confessei-me. Aturei. Agora tenho que superar, e afirmar. O amor, me pegou novamente.
Dois passos a mais que aqueles pés deram, um segundo a menos que eu podia respirar. Enfim o momento de tensão chegou, com meus lábios tremendo e um 'oi' preso em minha garganta. Não tinha como evitar, existia algo muito errado comigo.
Respostas. Indecisão. Vergonha. Mais desespero. Duas letras que me travaram por inteiro, como eu poderia aguentar aquilo por pelo menos mais um minuto? Perdi controle do meu corpo. Mal sinto minha queda, mas sinto suas mãos tentando me ajudar. Levanto-me, sem tempo para pensar. Recomponho-me, como fui parar no chão? Tento relembrar meus últimos minutos, e tudo estava em branco.
Eu simplismente me negava a dizer que o que eu havia presenciado era amor, ou paixão, ou algum tipo de alergia a garotos. Doença, com certeza. Você me pergunta se está tudo bem, mas olhe para meu rosto, eu pareço estar? Ainda tremo, não crendo que você tenha feito isso comigo, tenho certeza que não foi, não pode ter sido.
É a conversa mais longa que já tive, sei que durou quatro minutos mas me pareceu a eternidade. Logo depois, me dei um tempo para pensar sobre tudo. O que achava impossível de acontecer comigo, há algumas horas atrás me ocorreu. O que achava inexistente nesse planeta, começou a existir dentro de mim. Logo em mim, por que? Sempre achei que fosse ruim, como nas outras vezes, que iria me destruir por dentro. Mas não era, era reconfortante, e inexplicavelmente bom.
Desisti de procurar nomes para o sentimento estranho que sentia. Me rendi. Confessei-me. Aturei. Agora tenho que superar, e afirmar. O amor, me pegou novamente.
terça-feira, outubro 11
Fantasmas
Ficar sozinha em um canto e ignorar o silêncio de suas lembranças, inevitável.
Lembrar de uma coisa que você desejaria ter esquecido há anos e não conseguir parar, inevitável.
O seu pensamento ruim te levar à coisas muito piores, extremamente inevitável.
Sentir o conforto de um pensamento bom apagando tudo aquilo em segundos. Bom, naquele instante, era o melhor sentimento do mundo.
Meu princípio de realidade se nega a evitar a dor sem restrições e a traz mais perto. É incrível a maneira que eu não posso controlar meus próprios pensamentos. E o que mais me atormenta é, quem controla eles por mim?
Meu ego, id e superego brigando entre si sem sucesso. E os meus fantasmas. Fantasmas da minha dor, fantasmas do meu futuro, fantasmas da minha felicidade e até do meu passado.
Fantasmas de tudo o que tive porque já não existe mais. Toda a essência que perdi sem ao menos perceber. Como pude me afastar tanto do caminho em que julgava estar? Como pude chegar tão longe e me perder nos meus erros, me afogar nas minhas indecisões sem me dar conta do que acontecia ao redor? Porque agora só existe um pseudo eu perdido em um vácuo sem saída.
Ou só estou perdida em meus pensamentos, mas dane-se o resto porque todos precisam disso, e eu preciso disso. Um momento pra mim, eu mesma e meus fantasmas.
domingo, outubro 9
A menina sem coração
(…) E ela enfrentava o mundo de cabeça erguida. Ninguém a atingia. Palavras, julgamentos, indiferença: nada a derrubava. Era uma daquelas pessoas que encarava qualquer coisa, menos os próprios sentimentos. Todos a conheciam como “a menina sem coração”, pois nunca havia amado de verdade. Mas de jeito nenhum se importava. Até gostava de não ter seu coração quebrado por qualquer idiota ou ter a sua auto-estima rebaixada por qualquer falta de atenção.
Sem procurar por alguém, ela seguia em frente. Não tinha vícios, hobbies ou algo que a mantivesse desligada dos problemas por alguns instantes. Era sozinha e enxergava a solidão como sua melhor amiga, pois era a única que ouvia o que ela pensava.
Ela não entendia por que as pessoas eram tão… Más com elas mesmas. (…) Cansava-se de ouvir histórias de romance, que não deram certo. Perguntava-se porque sofrer daquele jeito ou porque amar e não ser correspondido. Aquilo não entrava em sua mente. Porque depender de alguém, sendo que no fim, é tudo tão… Péssimo?
Por isso, andava sem rumo. Ia pra qualquer canto, sem se importar no que aconteceria lá. Ela sorria, escondendo a verdade de que era sozinha. Ela vivia, se escondendo da emoção que literalmente é viver.
Ela gostava de ser única, diferente! Aquela que todos olham e gostam, mesmo desgostando. Amava chamar a atenção, mas era timída. Gostava de ser notada, mesmo trancada em seu quarto. O bloqueio? Uma forma de proteção, pois ela sabia, que tanto esforço pra não se apaixonar, não adiantaria nada se ela encontrasse alguém que a transmitisse segurança. (…) Foi sempre assim: ela e essa facilidade de se impressionar com pequenas coisas.
Um dia, cansada da mesmice, decidiu reerguer-se e sair. Arrumou-se, observou-se e sentiu-se pronta pra deixar alguém entrar… Alguém especial! Nas esquinas, ela não encontrou nada. Nas ruas, ela não conheceu ninguém e no mesmo instante, sentiu-se perdida… Perdida no mundo que ela mesma havia criado. Um mundo onde ela estava numa bolha gigante e o resto das pessoas não tinham acesso à ela.
Pela primeira vez, “a menina sem coração” sentiu-se desprotegida. Ela nunca tinha precisado de alguém, como precisava agora. Estava sensível e desconfortável na própria pele. Correu pra casa, como se não houvesse acontecido nada e se escondeu debaixo dos cobertores. Ela estava assustada, pois só agora, ela realmente conseguia se ver. Aquela que não amolecia por nada, na verdade, já havia se amolecido muito, só que agora tinha medo. Era apenas uma criança, ainda com medo do escuro e do que as pessoas guardavam em seus corações. Medo de se decepcionar e não ter ninguém pra se apoiar. Medo de estar sozinha, num mundo lotado de corpos, mas carente de espirítos. (by: oisousincero.tumblr.com)
terça-feira, março 22
Miséria e Companhia,
Um sonho de esquecimento e a perspectiva de que tudo pudesse dar certo agora, ou quase isso. O vento da rua ondulava as cortinas. Eu não tinha sono, nem vontade de persegui-lo. Aproximei-me da varanda e me debrucei. até ver a luz vaporosa que derramavam os lampiões na Puerta del Ángel. A figura recortava-se num retalho de sombra, deitado sobre o calçamento da rua, inerte. O tênue pestanejar âmbar da brasa de um cigarro refletia em seus olhos. Vestia uma roupa escura, uma das mãos afundada no bolso da jaqueta, a outra acompanhando o cigarro que largava um rastro de fumaça azul em volta de seu perfil. Observava-me em silêncio, o rosto oculta na contraluz da iluminação da rua. Permaneceu ali pelo espaço de quase um minuto, fumando sem pressa, com o olhar fixo no meu. Em seguida, ao se ouvirem as badaladas da meia-noite na catedral, a figura assentiu de leve com a cabeça, uma saudação atrás da qual intuí um sorriso que não podia ver. Quis corresponder, mas estava paralisado. A figura virou-se e a vi se afastar, mancando ligeiramente. Em qualquer outra noite eu teria reparado muito pouco na presença daquele estranho, mas assim que o perdi de vista na neblina senti um suor frio na testa e o ar me faltou. E essa foi só a primeira noite de muitas em que eu sentira o pouco da essência do medo.
La Sombra del Viento
sexta-feira, fevereiro 18
Complexidade.
Minha rotina é tão repetitiva, melancólica. Previsível desde o minuto em que acordo e abro os meus olhos até a hora em que deito minha cabeça no travesseiro e os pensamentos fluem. Tomo meu banho, é tão rápido. Me arrumo, não me importo com a roupa que vou, afinal, é a escola. Tudo é igual, entro pela porta, chego na sala, sento. Mas não hoje, hoje existia algo diferente, que realmente estava me incomodando. Havia um garoto, na minha sala, o qual eu nunca tinha visto . Não era um garoto normal, e muito menos comunicável. Tinha a pele muito branca, olhos castanhos claros - muito profundos por sinal - e cabelos bagunçados, usando uma jaqueta azul escura e um capuz que cobria toda sua cabeça. Aparentemente ele parecia uma pessoa normal, mas quando você para pra observar, ele é bem mais complexo que isso.
Na hora do intervalo, parecia tudo muito calmo, as hora muito curtas. Ele estava sentado em uma mesa, com uma aparência sádica, sua comida ainda não tinha sido tocada, ele estava olhando fixamente cada pessoa naquele refeitório. Era como se ele estivesse lendo a mente de cada um, como se conseguisse ver a alma totalmente vazia daquelas pessoas e ficasse entediado, como se conseguisse controlar tudo apenas com o olhar.
Era estranho como aquilo fazia eu me sentir inferior, o olhar dele diminuia a gente ao ponto de sumirmos em mente. E quando eu menos percebi, o sinal tocou. Entramos na sala, e eu fiquei prestando muito atenção nele, nas atitudes dele. Aquilo tudo me fascinava, algo relacionado à todo aquele mistério que existia nele. E alguma coisa nele me chamava, me chamava de modo que eu não podia ignorar.
Queria tanto poder falar com ele, saber o que ele pensa, por que ele age dessa maneira mas a coragem me faltava. Deixei cair a borracha, sem querer. Ele olhou a borracha no chão, fixamente. Pegou-a e me entregou. Pensei em dizer um "oi" ou então apenas um "obrigada" mas minha voz sumiu, não conseguia sair, por motivos que eu desconhecia. Tudo estava muito consfuso, eu sei. Queria ter pelo ao menos a chance de ouvir a voz dele, poderia me ajudar em algo. Deixei pra descobrir isso em um momento em que minha cabeça estivesse vazia e que eu pudesse realmente pensar. Fui pra casa, tomei outro banho bem rápido, peguei meus livros mas era como se tivesse desaprendido a ler, não conseguia prestar atenção em nada.
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