Não tento explicar para as pessoas como eu me sinto porque vai ser uma grande perda de tempo. Eu também não espero que elas entendam o motivo da minha tristeza diária e nem espero que elas me consolem ao me ver chorar. Às vezes eu me sinto tão deprimida, tão pra baixo, que fico me perguntando o motivo de eu ter nascido, a minha utilidade no mundo ou se as pessoas que me cercam estão sendo falsas comigo.
É claro que tudo seria mais fácil se eu pudesse saber o que as pessoas estão pensando, mas infelizmente o mundo não é como queremos, e nunca vai ser. Acho que o único conforto que eu encontro estão nos livros, só eles me fazem sair da realidade triste e impossível em que vivo.
Sempre tem os dias em que eu durmo e prefiro não acordar, tem dias que até no pior sonho você pode achar uma esperança. Você pode até ter um pesadelo, mas aí você acorda e descobre que a realidade pode ser muito pior. Como todos conseguem perceber em mim repetidas vezes "realidade" é uma palavra com a qual eu não consigo lidar. Eu não vou e nem quero criar falsas expectativas mas espero que um dia alguém nesse mundo possa entender o vazio dentro de mim.

Olá, passei pelo seu blog e gostei muito; já estou seguindo!
ResponderExcluirPerdão pela intromissão, mas a sua postagem me lembrou muito um livro que adoro: "O apanhador no campo de centeio", do Salinger (não sei se você já leu, é um dos meus favoritos). O personagem principal se sente de um modo similar - confesso que por vezes achei que ele me entenderia melhor do que muitos amigos próximos.
Outra escritora nesta linha é a Sylvia Plath ("A redoma de vidro" é a obra mais famosa dela). Se bem que ela é minha autora predileta, então talvez a recomendação de leitura não seja imparcial.
De qualquer modo, confesso que me sinto do mesmo jeito e ambos os livros me ajudaram a entender melhor o que se passava na minha cabeça
Céus, já estou escrevendo demais... Parabéns pela escrita :)
Adorei, meus parabéns. Ótimo texto.
ResponderExcluirLindo.
ResponderExcluirSchopenhauer, em suas aforismas para saber viver, manifesta: «Pois, o que alguém é para si mesmo, o que o acompanha na solidão e ninguém lhe pode dar ou retirar, é manifestamente para ele mais essencial do que tudo quanto poder possuir ou ser aos olhos dos outros. » No seu post sobre o Vazio ficou extremamente evidente que o vazio percorre a sua alma, acontecendo em todas as circunstâncias, sendo um fenómeno que ninguém pode lhe dar ou retirar, porque ele é em primeira-pessoa, é seu. E por isto você afirma «espero que um dia alguém nesse mundo possa entender o vazio dentro de mim. »
ResponderExcluirConheci predominantemente em vida a melancolia, e episodicamente com a depressão o vazio. Consegui suspender ambos duma só vez mediante um esforço tenaz com que me agarrei até os últimos fios de cabelo da alma (comprei uma peruca rsrs; brincadeira!). Vários ciclos que pensei estar as coisas se renovando, e era tudo a mesma coisa, apenas com faces diferentes, mas aos poucos fui criando um recurso interno com a busca, a procura, e havia uma luz em mim que já ocupava espaço junto a depressão. Quero dizer: quando não temos força, por ora, para lutar contra um problema, temos que abrir uma outra frente pioneira, depois com o acúmulo e fortalecimento, podemos eliminar o dragão.
O insight é mudar interiormente quando a situação, por ora, não pode ser mudada, e depois empreender esforços para transformar o quadro do vazio.
Sucesso neste caminho. Humildemente compartilho minha presença, se quiseres conversar, desabafar, trocar experiencias, estou a cá.
Paz, luz, discernimento! E querer sincero!
Obrigada Bruna, ainda não li esse livro mas agora, estou muito ansiosa para começar a ler. Obrigada pelo comentário, e pela indicação do livro.
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