domingo, outubro 9

A menina sem coração

 
(…) E ela enfrentava o mundo de cabeça erguida. Ninguém a atingia. Palavras, julgamentos, indiferença: nada a derrubava. Era uma daquelas pessoas que encarava qualquer coisa, menos os próprios sentimentos. Todos a conheciam como “a menina sem coração”, pois nunca havia amado de verdade. Mas de jeito nenhum se importava. Até gostava de não ter seu coração quebrado por qualquer idiota ou ter a sua auto-estima rebaixada por qualquer falta de atenção.
Sem procurar por alguém, ela seguia em frente. Não tinha vícios, hobbies ou algo que a mantivesse desligada dos problemas por alguns instantes. Era sozinha e enxergava a solidão como sua melhor amiga, pois era a única que ouvia o que ela pensava.
Ela não entendia por que as pessoas eram tão… Más com elas mesmas. (…) Cansava-se de ouvir histórias de romance, que não deram certo. Perguntava-se porque sofrer daquele jeito ou porque amar e não ser correspondido. Aquilo não entrava em sua mente. Porque depender de alguém, sendo que no fim, é tudo tão… Péssimo?
Por isso, andava sem rumo. Ia pra qualquer canto, sem se importar no que aconteceria lá. Ela sorria, escondendo a verdade de que era sozinha. Ela vivia, se escondendo da emoção que literalmente é viver.
Ela gostava de ser única, diferente! Aquela que todos olham e gostam, mesmo desgostando. Amava chamar a atenção, mas era timída. Gostava de ser notada, mesmo trancada em seu quarto. O bloqueio? Uma forma de proteção, pois ela sabia, que tanto esforço pra não se apaixonar, não adiantaria nada se ela encontrasse alguém que a transmitisse segurança. (…) Foi sempre assim: ela e essa facilidade de se impressionar com pequenas coisas.
Um dia, cansada da mesmice, decidiu reerguer-se e sair. Arrumou-se, observou-se e sentiu-se pronta pra deixar alguém entrar… Alguém especial! Nas esquinas, ela não encontrou nada. Nas ruas, ela não conheceu ninguém e no mesmo instante, sentiu-se perdida… Perdida no mundo que ela mesma havia criado. Um mundo onde ela estava numa bolha gigante e o resto das pessoas não tinham acesso à ela.
Pela primeira vez, “a menina sem coração” sentiu-se desprotegida. Ela nunca tinha precisado de alguém, como precisava agora. Estava sensível e desconfortável na própria pele. Correu pra casa, como se não houvesse acontecido nada e se escondeu debaixo dos cobertores. Ela estava assustada, pois só agora, ela realmente conseguia se ver. Aquela que não amolecia por nada, na verdade, já havia se amolecido muito, só que agora tinha medo. Era apenas uma criança, ainda com medo do escuro e do que as pessoas guardavam em seus corações. Medo de se decepcionar e não ter ninguém pra se apoiar. Medo de estar sozinha, num mundo lotado de corpos, mas carente de espirítos. (by: oisousincero.tumblr.com)

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